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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Carta Convite CEA/AQUORIO 02/2012

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O Centro de Estudos de Aquariofilia – CEA e a Associação de Aquicultores Ornamentais do Estado do Rio de Janeiro – AQUORIO convidam para participar da Palestra intitulada “A CADEIA PRODUTIVA DO PEIXE ORNAMENTAL” e mesa redonda sobre “AQUISIÇÃO, PREÇO E QUALIDADE DE PEIXES ORNAMENTAIS”, que será realizada no dia 26 de maio de 2012, a partir das 09h30, no “Espaço Professor Gastão Botelho”, situado à Rua Senador Bernardo Monteiro, nº 18, no Bairro de Benfica, no interior da loja Smart Fish.

Programa:

1 – Palestra: A CADEIA PRODUTIVA DO PEIXE ORNAMENTAL – Mario Porto (Engenheiro de Pesca, titular da Piscicultura Mario Porto)

Detalhamento:
Mario Porto é um dos maiores produtores de peixes ornamentais do país, especializado principalmente em kinguios e carpas, dos quais produz dezenas de variedades. Produz também acará disco, algae eater, botias e labeos, entre outros.

Nesta palestra Mario abre praticamente a sua fazenda e mostra detalhadamente todas as fases de produção de uma piscicultura, começando pela coleta da água, preparação e adubação dos tanques, criação do alimento vivo, produção de alevinos, desenvolvimento e engorda, reprodução, seleção genética, produção de matrizes, seleção de peixes para venda, colocação dos peixes no mercado, transporte, etc.

Mario é detentor do pioneirismo na reprodução – no Brasil – de espécies consideradas de elevado grau de dificuldades, entre elas botias e lábeos.

2 – Mesa redonda: Aquisição, preço e qualidade de peixes ornamentais.

Participantes: Denilson Moreira, Marcus Gouvêa, Mario Porto, Manuel Mourão, Wilson Vianna, Jonas Motta, Rodrigo Marraschi, Marcos Mataratzis, Cleber Barbosa, Reinaldo Santana, Oswaldo Caetano, lojistas, hobistas, atacadistas e importadores.

Na ocasião Denilson Moreira apresentará um breve resumo sobre a Aquariofilia na Argentina, onde ele esteve recentemente.

"Revitalizando" um pouco o substrato.

Mensagempor Magro Costa em Qui 31/Jul/2008 10:23
(A pedidos do amigo Andre Oliveira.)

Amigos muitos de nós já passaram, pelo incomodo de montar um aquário plantado e após alguns meses (dependendo do substrato usado) notar que as plantas já não estão indo muito bem, por causa talvez do "enfraquecimento" do substrato. 
Trocá-lo é sempre uma opção, mas nem sempre é a mais viável, teríamos que remontar todo o aquário para isso
Temos hoje em dia uma outra solução pra isso, que é usar pastilhas de fertilizantes enterradas no substrato, funcionam muito bem, o problema 
às vezes é o preço delas...

Pensando nisso resolvi por em prática uma idéia (não é minha!) que li certa vez na Net; infelizmente não lembro onde.

Cápsulas FVM de fertilizantes.

Comprei numa farmácia de manipulação, um punhado (cinqüenta) cápsulas de remédio vazias, são muito baratas, paguei 8 reais nelas. Pedi as maiores que eles tinha lá.

Comprei um Azoo Fertilizante Color Condensado (50 grs ) da Azoo, e um potinho de Laterita Concentrada. 

Daí com muita paciência, fui colocando um punhadinho de laterita e umas duas ou três “bolinhas” do Fertilizer Color em cada cápsula. Acabei com um bom número delas. 

Depois de prontas é só enterra-las bem fundo no substrato, de preferência o mais perto das plantas possível. Pouco tempo depois as cápsulas de dissolvem na água (são inertes, não causam mal algum) e ficam lá o fertilizante e a laterita.

Notem que pode ser usado qualquer tipo de fertilizante, não só os que eu citei, desde que sejam fertilizantes sólidos (secos) lógico.

Tai uma foto do que fiz. Funciona muito bem! (Desculpem a qualidade das fotos)

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Os “ingredientes” 

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As cápsulas 

Abraços povo!

domingo, 6 de maio de 2012


ENTREVISTA: Renato Kuroki e aquário Cristalino

FEV 25, 2012 BY     1 COMMENT     POSTED UNDER: AQUAPAISAGISMO
Acredito que essa entrevista tenha um poder contagiante. Acredito que quase a totalidade daqueles que lerem este texto sentirão vontade de aprender cada vez mais do que a natureza tem a oferecer. A aprender conceitos e se disciplinar para enxergar a beleza em suas minúcias. A não se preocupar apenas com títulos em concursos, mas que se aprenda a valorizar as idéias e o crescimento pessoal.
O entrevistado desta vez é Renato Kuroki, destacado aquapaisagista brasileiro que morou no Japão. O aquário chama-se CRISTALINO.
SETUP DO AQUÁRIO.
  • Tamanho: 90 x 45 x 45cm
  • Substrato: ADA Sustrate System
  • Filtragem: 2x Eheim 2217
  • Iluminação: ADA NA T8 Lamp 6x 32W
  • Sistema de CO2: ADA CO2 System
  •  Plantas: Vesicularia sp, Fantinalis antipyretica, Ludwigia brevipes, Rotala Green, Rotala indica, Didiplis diandra, Hemianthus micranthemoides, Echinodorus broad leaf tenellus, Echinodorus tenellus Bolbitis heldelotii, Microsorum sp narrow leaf, Cryptocoryne Wendtii Brown
De onde veio a inspiração para esse layout?
Dos grandes plantados de troncos, estilo japonês.
Possui alguma preferência quanto ao hardscape? Por exemplo, prefere trabalhar com pedras ao invés de troncos?
Não tenho preferências, tenho muitas idéias e pesquiso muito imagens da natureza. A escolha do layout é conforme a disponibilidade de materiais sejam pedras, troncos ou ambos.
Onde consegue o material para suas montagens?
Quando morava no Japão conseguia na loja de meu Mestre Yamagishi. Tive oportunidade de ir com ele a distribuidores deste materiais e escolher em grandes montanhas de troncos, por exemplo. Aqui no Brasil consegui de amigos e colaboradores, já que a disponibilidade nas lojas é muito limitada.
Em que seqüência organizou os elementos deste paisagismo?
Considero este o meu primeiro grande trabalho. Ele me proporcionou um grande aprendizado em hardscape. Gastei boa parte do tempo arrumando o tronco principal que foi o elemento central deste aquário, e depois foram as pedras (seryu sekis), e estas foram as que deram mais trabalho em seu arranjo, devido a dificuldade que todos temos em harmonizar este elemento de forma natural nem todo contexto.
Costuma fazer algum tipo de desenho prévio para organizar a idéia no papel antes da montagem? Neste caso, foi feito?
Não, sou um péssimo desenhista, rsrsrs
Tenho bons conhecimentos em foto e photoshop e procuro fazer meus croquis usando estas ferramentas.
Após a montagem, costuma alterar a posição do hardscape? Nesse aquário houve alguma mudança posterior?
Sim, com certeza. Um layout para mim só termina quando o desmonto. Sempre há algo para ser melhorado, por isso procuro deixar meus hardscapes os mais livre possíveis para que as alterações possam ser feitas. Neste layout eu alterei muitas pedras complementares e tirei outra. O posicionamento natural de pedras é muito difícil e requer muito estudo e observação
CRISTALINO: porque este nome?
Na verdade, este aquário não tinha um nome pré definido. A escolha foi a partir de uma reportagem que vi no Japão a respeito do Rio Cristalino/MT, região linda e inspiradora. Quis homenagear meu país dando um nome a altura de sua beleza natural
Alguns pensam em um nome e criam um paisagismo inspirado no título. Outros definem o nome da montagem após a evolução do aquário. Como acontece em seu caso?
No meu caso crio um layout a partir de uma inspiração (paisagem) da natureza, depois de montado dou um nome com referências a esta inspiração.
Há diversas “regras” de proporção que são aplicadas nas artes e se enquadram no aquapaisagismo. Quais costuma utilizar em suas montagens? No CRISTALINO, como se pode perceber essa preocupação?
Hoje não me preocupo com as regras artísticas. Procuro desenvolver o senso natural que aprendi no Japão, e que tem a ver com o Wabi Sabi. Todos os detalhes são muito estudados e sentidos para ver se realmente estão de acordo com o senso natural ou balanço natural, como é dito no Japão. No Cristalino tive muita preocupação com sombras e luzes para dar um bom volume a todo layout.
Como foi ministrada a fertilização líquida nesse aquário? Com que produtos e que cuidados foram necessários para evitar algas?
No Japão quase a totalidade de aquapaisagistas usa sistema ADA de substrato. Não necessitamos de fertilização a base de N e P, somente K, Traço e Ferro. Também neste sistema temos pouca ocorrência de algas. Neste aquário eu não tive problema algum. Os cuidados são preocupação com a flora biológica do start do aquário, e seu controle através da fauna: camarão Amano, otocinclus e a inclusão do cardume de peixes logo após o primeiro mês
 Muitos lutam para ter plantas vermelhas no aquário. Para chegar aquela tonalidade observada em sua obra, o que foi primordial?
Para obter uma cor mais intensa não basta ter uma boa iluminação. É necessário uma boa fertilização a base de Ferro, neste caso eu usava ECA da ADA.
O que leva em conta para dimensionar a quantidade de luz a ser utilizada em cada montagem? Que tipo de Lâmpadas utiliza?
No caso de aquários como o Cristalino é necessário super dimensionar a potência, pois usamos plantas que exigem muita luz. Uso também lâmpadas de qualidade, neste caso T8 32W ADA de 8000K (no Japão não há T5), pois elas adensam melhor as plantas de caule, foram 192W para 182Litros
E as tão indesejáveis algas… Houve alguma batalha contra elas nesse aquário? Como as combateu?
Muito pouca, somente um pouco de alga marrom, combatidas com fauna, bactéria e aspiração
Como foi feito o trabalho de poda para moldar o layout dessa forma?
Paciência, rsrsrs acho que num aquário com plantas de caule precisamos de paciência e ótimas ferramentas. Acho que a inclinação da tesoura na hora da poda fez toda a diferença na hora de dar um efeito perspectivo melhor.
Aquário antes de desmontar
Qual foi o maior desafio na confecção desse layout?
Acertar a poda e rebrotamento das plantas de caule com o restante das plantas e principalmente o carpete de musgo vesicularia sp.
O que mais te agrada nessa montagem? Por outro lado, há algum ponto, onde pensa que poderia ter dado uma melhor trabalhada?
O tronco principal me agrada muito. O trabalho de musgo deu um efeito bem natural. O que eu mudaria  neste layout : eu retiraria a pedra do lado esquerdo acho que ficaria mais leve e poderia melhorar a perspectiva de todo conjunto.
Que equipamento utiliza para tirar fotos de suas montagens?
Este aquário tiramos no Japão e por lá fotografamos analogicamente em cromo, neste caso fotografamos com uma Câmera Fuji 4X5 polegadas com Flashes de Estúdio de 2000W. Aqui no Brasil fotografo com uma Canon Eos 5D mark II com flashes compactos de aprox. 1700W
Fotos de aquários, especialmente os plantados, exigem algumas técnicas. Com é a preparação para a sessão de fotos de seus aquários?
Acho que a iluminação externa (Flashes) é importantíssima para uma foto de qualidade. Infelizmente essa não é a realidade para muitos aquapasagistas no Brasil. Mesmo assim, com algumas adaptações e correções (White balance, contrastes e etc…) podemos conseguir fotos competitivas. Para isso é importante começar a fazer testes de fotografia meses antes da foto final, testes de luz (flashes), fundo, ângulo, etc… Para que  no momento da foto final não seja pego de surpresa com qualquer  tipo de imprevisto, pois você não terá  tempo para erros.
SOBRE O RENATO KUROKI
Quando iniciou seu interesse pelo aquarismo?
Quando criança costumava acompanhar meu irmão pelas lojas de aquarismo de São Paulo
O que lhe chamou a atenção no aquarismo plantado?
Meu primeiro contato foi com o catálogo de 2005 da ADA, não acreditava que era possível fazer todos aqueles belíssimos aquários com plantas naturais com aquela qualidade, no mesmo ano pude comprovar pessoalmente em  minha primeira visita ao ADAs Gallery descobri que “aquilo” era que eu sempre quis fazer.
Quantos aquários mantém no momento?
Três aquários
Existe algum aquapaisagista que influenciou seu estilo?
São muitos que me inspiram e me influenciaram, por diversos motivos. Mestre Yamagishi pelo pioneirismo e pelo seu inconfundível estilo suikei; Yutaka Kanno pelo balanço natural; Masashi Ono, pela originalidade; Akira Yamagishi pelo senso crítico e didática e o Grande Takashi Amano por tudo que fez e  ainda faz pelo Aquapaisagismo pelo mundo.
No Canto Esquerdo, Renato Kuroki. Ao seu lado, Mestre Yamagishi
Renato com Takashi Amano
Com Dave Chow
Que plantas mais aprecia? Há alguma que não fica de fora de suas montagens?
Musgo Vesicularia sp (Nambei), crypocorynes, microsorums e echinodorus tenellus. A que não usaria é a microsorum pteropus “windelov”.
Você faz parte de um grupo de aquapaisagismo japonês. Que grupo é esse? Qual o objetivo desse grupo e como as pessoas se inter-relacionam nele?
Sim, o grupo Layout Freaks conhecido também como Negishi team, foi criado por mestre Minoru Yamagishi que pessoalmente convida pessoas que realmente estão dispostas a aprender e crescer no aquapaisagismo. Temos como foco o concurso IAPLC. Nosso ponto de encontro era a loja de Mestre Yamagishi (Aqua Shop Negishi). Em sua enorme mesa de chá cada participante tinha um portifólio que era atualizado a cada visita e estava aberto a todos os membros para estudar e fazer considerações. Tínhamos oportunidade de participar de mais de 20 trabalhos por ano, trabalhos de  grandes feras como: Minoru Yamagishi, Yukata kanno, Juinichi Itakura, Hidekazu Tsukiji, Akira Yamagishi, entre outros, além de muitos livros e um  acervo completo de todas as AquaJournals publicadas. Aos sábado e domingos a reunião era completa com a presença de quase todos os membros.
Grupo Layout Freaks
Acima, a mesa de chá
DICAS PARA OS ASPIRANTES A AQUAPAISAGISTAS.
Qual o caminho para internalizar os conceitos do Estilo Nature? Quais são suas dicas e considerações finais?
O Estilo Nature requer estudo da natureza em suas minúcias. Estude muito imagens de paisagens naturais, macro e micro, filmagens e expedições; Entenda o que é wabi sabi e você estará no caminho certo.
Minhas dicas: Dedicação! Encare cada projeto como um objeto de estudo. Tenha paciência, pois o caminho para grandes projetos pode demorar mais que você imagina e Seja Humilde, sem humildade você não irá longe.
Durante o EAB 2011 – Encontro de Aquarismo de Bauru – Renato Kuroki proferiu palestra, onde explicou alguns desses conceitos, como o Wabi Sabi. Veja mais no post: Trechos da Palestra de Renato Kuroki no EAB 2011.

sábado, 5 de maio de 2012

Aquários (dulcícolas ou marinhos) são sistemas que consideramos “fechados”, quer dizer, possuem um ciclo que independe do ambiente externo, nos aquários se o dia esta nublado, ou frio, pouco importa (do ponto de vista do ciclo) pois não interferem diretamente no aquário. Mas como tudo na vida, o aquário necessita de um equilíbrio este ciclo deve se sustentar por si só durante um período (e ai depende do tipo de aquarismo: Plantado, Fish Only, Marinho, auto-ciclante etc), por exemplo até a próxima TPA ou até a troca do material filtrante, e também deve ter a capacidade de se recuperar e restaurar o equilíbrio depois destas intervenções.

Mas ai a pergunta deve ser: “Que diabos isso tem a ver com caramujos ?”, a resposta é TUDO ! Pois como um ciclo biológico/ecológico cada ser vivo desempenha um papel em uma cadeia, isto é fato, animais predam outros animais, outros se alimentam de plantas e outros se alimentam de escrementos e assim por diante, e dentro do nossos aquários o “Drama da Vida” ocorre, existe não só entre os peixes, que atacam filhotes e os devoram, mas na chamada microfauna que habita este mundo, pequenos crustáceos, vermes, plancton, fito plancton e nossos queridos ou odiados caramujos ! Sim eles fazem parte desta fauna ! Se alimentando de outros animais, restos de plantas, algas, excesso de comida e quando morrem servindo de alimento para os outros membros da microfauna do aquário gerando um “círculo virtuoso” que mantém este sistema equilibrado!

Mas de onde eles aparecem ???

Sempre vemos em fóruns ou ouvimos nos encontros ou conversas a frase: “Apareceram uns caramujos no meu aquário que eu montei ontem !!! Como isso ?” Simples: Vieram no cascalho ou nas plantas que você adquiriu ou ganhou de uma poda de um amigo, vieram naquela pedra lindona que estava seca da sua última montagem, vieram no saquinho de transporte dos peixes, cairam do céu, não brincadeira, mas só faltava ! Uma verdadeira máquina de viver !
 
Caramujos são seres que aguentam qualquer parada, (a menos se ele custar caro, tiver apenas um na loja e você esta louco para que ele procrie, ai ele morre em segundos ! Murphy aplicado a moluscos caros!), eles vivem em ambientes com pouco oxigênio, amônia alta, nitritos, pouca água, sobrevivem até sem fazer aclimatação, enfim uma desgraceira de água, eles estão lá felizes. Por isto uma vez no nosso aquário fica muito difícil, sem utilizar meios invasivos, erradica-los, mas como veremos no decorrer do artigo, é muito mais inteligente utiliza-los e controla-los do que causar uma ectatombe nuclear no aquário usando produtos e arriscar o equilíbrio delicado do sistema.

Caramujo ou caracol ??

Cientificamente não existe diferença, são todos gastrópodes aquáticos ou não, portanto são sinônimos, porém é comum tratar caramujos como seres aquáticos e caracóis os de vida terrestre, como o que é combinado não é caro, seguiremos chamando nossos amigos de Caramujos, como referência aos molusco aquático.
Algumas informações sobre os caramujos.
Caramujos são moluscos gastrópodes, o termo gastrópode vem do grego gaster (estômago) e poda (pé), estômago-no-pé, e tem cerca de 75.000 espécies e estão entre os seres mais antigos do planeta (e você achou que era o Magro, né?). Uma das suas principais características é a carapaça que serve de abrigo e proteção em formato de espiral, se bem que nem todos os gastrópodes possuem esta carapaça, como é o caso da lesma que tem apenas um resquício desta carapaça. Dentro da concha se encontram as visceras que estão literalmente “torcidas” para pode se acomodar durante o crescimento do animal, o corpo do animal é formado por cabeça, que possui de 2 a 4 tentáculos, pé e...pé e mais pé ! Na verdade esta parte é chamada de pé ventral e é responsável pela locomoção do animal, nos animais aquáticos, a respiração é branquial.

Quase todos os gastrópodes são hemafroditas, quer dizer, possuem os dois sexos, porém para reprodução eles preferem possuir um parceiro para copular, isso se chama fecundação cruzada, algumas espécies, através de uma pequena disputa decide quem será a fêmea e carregará os ovos e outros ambos se fertilizam ao mesmo tempo. Mas quando o mercado esta escasso, eles/elas não passam aperto !!! Partem para produção independente e podem assim se autofertilizar, porém é uma atitude extrema, já que a fecundação cruzada garante que os filhotes terão uma genética variada e mais forte, e portanto mais vantajosa.

Como dito os gêneros e espécies são vários, desde alguns que mal enxergamos (mesmo adultos), às ampulárias que podem ficar do tamanho de uma bola de bilhar! Como diria os antigos, são várias “qualidades”! Vamos aqui falar dos mais comuns que ou “aparecem” no aquário ou que adquirimos em lojas pela sua beleza ou utilidade.
Planorbis:
Planorbis corneus, eles vivem em condições extremas, de pH ácido 6,2 até em pH muito alcalino 8,5. São comuns de serem encontrados e costumam desovar embaixo de folhas de plantas, mas podem colocar ovos em qualquer lugar dentro do aquário. Eles possuem as mais diversas colorações, sendo as mais comuns a marrom, a dourada e a variação albina conhecida como Red Ramshorn. Quando a população fica muito grande e não há algas no aquário eles podem comer as plantas, fazendo buracos nas folhas mais de plantas moles ou folhas mais jovens de plantas duras. São ótimos consumidores de restos de ração, peixes e demais animais mortos, algas como filamentosas, Green spot e outras, não comem cianobactérias e nem algas petecas.

Physas:


As Physas possuem quase as mesmas características dos Planorbis, porém elas  costumam sair do aquário na falta de alimentos, dificilmente atacam as plantas, mas pode acontecer em situações de escassez de alimentos. São extremamente prolíficos podendo gerar descendentes rapidamente, mas seus ovos não possuem casca e são um ótimo alimento para os peixes, o que gera um controle natural.



Ampulárias:

Pomacea bridgesi, a Ampulária é o caramujo mais “famoso” dos aquários do mundo, primeiro pelo seu tamanho, passando facilmente dos 10cm quando adulta, pela sua cor amarela e por sua voracidade por algas. A Ampulária, é hemafrodita, porém prefere um parceiro para reprodução, porém pode gerar ovos mesmo quando é a única no aquário, apesar de raro acontece. Seus ovos são colocados fora da água em um casulo em forma de cacho de uvas, depois os filhotes nascem e caem na água. A Ampulária, prefere algas porém se este alimento faltar ou se ela simplesmente estiver com vontade ira comer as plantas, preferindo as mais moles e menores (carpetes de Cuba ou Glossos podem sofrer)

Neritinas:
Neritina natalensis, Neritina Zebra, é um dos caramujos de aquário mais bonito que temos até então, suas cores são bonitas e vibrantes, são ótimas comedoras de algas as preferindo a não ser que não existam mais outra alternativa que não sejam as plantas. Ela não se reproduz em cativeiro pois os filhotes necessitam de água salobra e com parâmetros certos para crescimento, o que a transforma em uma boa alternativa no aquário, porém existe um inconveniente, elas continuam botando os ovos, que grudam em todos os cantos do aquário deixando vários pontos brancos e que dão um bom trabalho para remover já que não nascem filhotes dele.

Melanóides:
Melanóides tuberculata, também conhecido como caramujo trombeta, é uma das espécies mais comuns nos aquários, sua carapaça é alongada (por isso “caramujo trombeta) e tem hábitos notívagos. Se alimenta de material em decomposição e algas e tem como característica se enterrar no substrato durante o dia, o que faz dele inconveniente em aquários plantados, já que a camada fértil pode entrar em contato com a água e causar problemas. Sua reprodução se dá através de partenogênese, onde a fêmea é responsável pela fecundação do óvulo sem a necessidade do gameta masculino.

OK ! Mas devo ou não mante-los no aquário ?

  A resposta seria simples e direta, sim! Seria, se fosse simples e direta, mas infelizmente ela é um tanto subjetiva, do ponto de vista meramente ecológico não haveria por que remove-los, porém alguns acham pouco estéticos, outros tem nojo, outros não simpatizam, alguns caramujos até comem plantas. Enfim depende da maneira e de como está equilibrado o aquário. Devemos lembrar que caramujos desempenham papel importante, principalmente onde eles são mais odiados, como em aquários plantados, pois ao ingerir restos e algas, os caramujos reviram o substrato, fazendo com que seus detritos adentrem no substrato, permitindo que as raízes das plantas absorvam os nutrientes desses detritos. Esse efeito porém é indesejável em aquários sem plantas, pois pode ocorrer eutrofização do sistema, o que seria fezes demais e planta de menos para absorver o excesso de nutrientes, e neste caso devemos ter peixes que gostam de um escargot criamos este equilíbrio. Mocinhas, Betta, Paraisos, Colisas e camarões fantasmas são ótimos predadores de caramujo e chegam a extermina-los. Além disso, é interessante fazer um controle manual durante as manutenções do aquário, se não houver predadores no aquário, sugando com um mangueirinha, apenas para que eles não saiam do controle, no caso de caramujos pequenos, como Planorbis, Physas e Melanoides.

Então antes de fazer aquela armadilha para caramujos ou então antes de encher de remédios e venenos, saiba que é muito fácil conviver e controlar do que remover, já que é muito provavel que o aquário se desequilibre e que todo o esforço seja em vão. Lembrem-se que alguns molusquicidas podem matar as bactérias benéficas do nosso aquário e com elas o resto da vida nele. Então EQUILÍBRIO! E assim devemos aprender a conviver com os caramujos ou exterminá-los de uma forma inteligente.
Autor: Fabio Burgarelli e Gustavo Tokoro (21/04/2010