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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dica de Renato Kuroki. Aeração noturna em plantados.

terça-feira, 2 de agosto de 2011


Dica de Renato Kuroki. Aeração noturna em plantados.


Olá amigos. Há algum tempo tenho lido sobre a aeração dos aquários plantados após o fotoperíodo. Trata-se de um assunto bastante polêmico no fóruns de aquarismo, e nem sempre achamos uma explicação adequada.

Bom, o que eu já sabia é que essa prática é muito utilizada na ADA Gallery do mestre Takashi Amano e bastante difundida no Japão. Assim sendo, para esclarecer minhas dúvidas sobre o assunto, resolvi perguntar diretamente a quem esteve lá por muito tempo e tem muita experiência nesse quesito: o grande aquapaisagista RENATO KUROKI, da Aquabase Aquapaisagismo, que recentemente esteve nos contando de sua experiência no Japão no VI Encontro Aqualon. 

Renato Kuroki durante sua palestra no VI Encontro Aqualon.

 O Renato, sempre muito atencioso, respondeu o seguinte sobre esta prática:

"Eu aprovo e uso a aeração noturna e a maioria dos japoneses também o fazem. No Nature Aquarium as bactérias são importantíssimas para o equilíbrio de todo o sistema (aquário plantado). No período noturno as plantas invertem seu processo respiratório liberando CO2, sendo que o aumento é significativo, chegando a matar até camarões, que são mais sensíveis. As bactérias, por sua vez, são ainda mais sensíveis, e acabamos perdendo muitas no período noturno, acarretando possíveis problemas causados pela desequilíbrio biológico, como algas.
Há também aqueles que acreditam que como as plantas absorvem O2 a noite, devemos supri-las com um fornecimento extra. O que observei em todos plantados japoneses é que a saúde, qualidade e cristalinidade da água é impressionante.
Podemos fazer esta aeração com compressores com pedras porosas que podem ser ligadas após as luzes desligarem, ou através da saída de filtro canister como é feito no ADA Gallery."

Assim sendo, conforme podemos notar da experiência do amigo Renato Kuroki, realmente existe um benefício nesta prática (aeração do aquário após o fotoperíodo), então, porque não usar? Fica a dica para os amigos leitores.

Fonte: http://ingascaping.blogspot.com.br/2011/08/dica-de-renato-kuroki-aeracao-noturna.html

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Montando um aquário com plantas

Autor: Victor Pax
Fala-se muito em aquários plantados e da obrigatoriedade de ter substrato fértil, CO2 e luz de 1 W/L.
Mas poucos sabem que podem ter um aquário com várias plantas e não precisar de nada disso.
Se seu objetivo é ter um aquário com vasta flora, composta de espécies exigentes e um carpete cobrindo praticamente a totalidade da extensão do aquário, você deseja um plantado.
Mas se seu foco são os peixes e as plantas estão lá apenas para embelezar e tornar o ambiente mais estável e salubre, então pode pensar em ter um aquário com plantas.
O substrato:
Bom, uma grande parte das plantas não necessita obrigatoriamente de um substrato fértil.
O substrato pode ser feito com cascalho (abaixo de 5mm) ou areia (seja de construção tratada ou de filtro de piscina).
Algumas como Cabombas, Ceratophilum, Microsorum, Anubias e musgos nem de substrato precisam, podendo ser amarradas/ancoradas a pedras e/ou troncos.
Mas caso queira alguma planta com crescimento acelerado ou uma planta mais exigente, nada impede de planta-las em um pote recheado com substrato fértil e camada isolante ou fazer uso de fertilizantes líquidos.
Este pote pode ser enterrado na areia/cascalho e removido se for necessário de forma rápida e segura.
Lembrando que as plantas não retiram unicamente pela raiz os nutrientes, pois até pelas folhas, tronco e coroa da raiz eles podem ser absorvidos.
Aliás, areia não impede o fertilizante líquido de chegar à raiz, então as raízes não ficam restritas ao substrato para se nutrirem e como a raiz de qualquer planta tem taxia por nutrientes (ou seja, se os nutrientes estão no fundo do aquário as raízes se aprofundam, se estão na coluna d água as raízes ficam tanto profundas … para sustentação… quanto mais superficiais, quando não fora do substrato) o complemento com fertilizante líquido será bem vindo em casos de substrato não fértil, alias se não houvesse absorção senão pela raiz os fertizantes líquidos não teriam qualquer função ou nem não existiriam, concordam?
CO2:
É interessante colocar nem que seja um CO2 de garrafada, mas para ter várias plantas não existe obrigação de colocar um injetor de CO2.
Embora elas cresçam de forma mais lenta, não vão morrer na ausência de co2, mas plantas como as Vallisnerias podem através de seu metabolismo na ausência de CO2 elevar o ph da água do aquário.
Iluminação:
Uma grande parcela da variedade de plantas existentes para aquariofilia pode ser mantida com iluminação entre 0,5 a 0,8 W/L, bastando consultar atlas de sites como (por exemplo) o forumaquario e aquaonline para ver caso a caso.
Filtragem:
Não foge muito do usual para plantados, filtros com uma vazão de 3 a 7 vezes (variando com o filtro empregado).
Mas no caso de não se usar substrato fértil, as plantas ajudarão a captar os compostos químicos indesejados na água, na forma de um “filtro de plantas” interno.
Montagem:
Sobre o fundo de um aquário faça uma cama de cascalho/areia com 5 cm na frente e subindo suavemente até chegar a 7/10 cm no fundo.
Como eu prefiro planejar o paisagismo antes de montar eu utilizo uma folha e traço um desenho (um aquário de 100cm X 40 cm fica um retângulo de 10 cm X 4 cm) e faço a distribuição da flora e do espaçamento (5cm entre as plantas é desenhado como um ponta a cada 0,5 cm), dando uma excelente idéia de como vai ficar o aquário quando montado.
Pessoalmente prefiro plantar as plantas antes de encher o aquário. “Furo” o substrato no ponto escolhido com o dedo e coloco a raiz da planta nele, tampo tendo o cuidado de não enterrar a junção da raiz com a planta.
Posiciono as pedras e troncos com as plantas amarradas (em caso de pedras/troncos grandes os posiciono antes de acrescentar o substrato, deixando suas bases enterradas), assim como o filtro desligado.
Vejo se está tudo bem e começo a encher o aquário. Com um prato no fundo para receber o jato d água (ou usando uma mangueira com um chuverinho na ponta) encho até o nível desejado.Ligo o filtro e deixo uns 30 dias para fazer a ciclagem.
Pessoalmente nesse período nem me preocupo em fazer os testes, me contentando em apreciar e administrar as plantas e filtro (troca de perlon, poda, alguma plantas que soltou, etc).
Depois de 30 dias eu começo os testes de amônia e nitritos para ver quando poderei acrescentar os peixes.
Antes de introduzir os peixes costumo fazer uma TPA de 30% para garantir a salubridade do ambiente.
Povoando:
A escolha da fauna é extremamente pessoal (embora eu prefira cardumes de pequenos peixes, outros preferem peixes maiores ou apenas um pet fish).
Mas quanto á flora existem algumas indicadas (além das exceções que podem ser plantadas em potes).
Plantas de fundo:
Alternanthera reineckii rosaefolia (cascalho/pote – 0,8 w/l)
Anubia glabra (cascalho – 0,5w/l)
Cabomba caroliniana (cascalho/pedra/tronco – 0,7w/l )
Ceratophyllum demersum (cascalho/pedra/tronco – 0,5w/l)
Ceratopteris cornuta (cascalho/flutuante – 0,5w/l)
Elodea densa (cascalho/flutuante/pedra/tronco – 0,5w/l)
Heteranthera zosterifolia (cascalho/pote – 0,6w/l)
Limnophila sessiliflora (cascalho/pote – 0,7w/l)
Lysimachia nummularia (cascalho/pote – 0,7w/l)
Myriophylum (cascalho/pote – 0,7 w/l )
Najas conferta (cascalho – 0,7w/l)
Najas indica (cascalho – 0,7 w/l)
Nitella (cascalho – 0,5w/l)
Nymphaea sp rubra (cascalho/pote – 0,7 w/l)
Nymphoides cristata (cascalho – 0,7w/l)
Rotala repens (cascalho/pote – 0,7w/l)
Rotala rotundifolia (cascalho/pote – 0,6w/l)
Utricularias – todas (cascalho – 0,7 a 1,0w/l)
Vallisnerias – todas (cascalho – 0,3 a 0,5w/l)
Plantas de meio:
Bacopa monnieri (cascalho – 0,6w/l)
Bolbitis heudelotii (pedra/tronco – 0,3w/l)
Cryptocorynes em geral (cascalho/pote – 0,3 a 0,7 w/l)
Hemianthus micrantemoides (cascalho/pote – 0,7 w/l)
Microsorum -todas (pedra/tronco – 0,3w/l)
Musgos (em especial o de Java, pedras/tronco – 0,3 a 7,0w/l)
Nymphoides aquatica (cascalho – 0,5w/l)
Potamogeton sp. (cascalho/pote – 0,7w/l)
Riccia fluitans (pedra/tronco com CO2 ou flutuante – 1,0 w/l)
Riccia stenophyla (pedra/tronco com CO2 ou flutuante – 1,0 w/l)
Rotala repens(cascalho/pote – 0,7w/l)
Rotala rotundifolia (cascalho/pote – 0,6w/l)
Plantas frontais:
Anubia barteri nana (pedra/tronco – 0,3w/l)
Cryptocorynes em geral (cascalho/pote – 0,3 a 0,7 w/l)
Microsorum windelov (pedra/tronco – 0,3w/l)
Musgos (em especial o de Java, pedras/tronco – 0,3 a 0,7 w/l)
Riccia fluitans (com CO2 pedra/tronco/placa de FBF ou flutuante – 1,0w/l)
Riccia stenophyla (com CO2 pedra/tronco/placa de FBF ou flutuante – 1,0w/l)
Sagittaria natans (cascalho – 0,5 w/l)
Sagittaria subulata subulata (cascalho – 0,5w/l)
Sagittaria subulata pusilla (cascalho – 0,5w/l)
Sagittaria sp Bras (cascalho – 0,5 w/l)
Carpetes:
Echinodorus tenellus (cascalho – 0,7w/l)
Musgos (em especial o de Java e o Fontinalis antipyretica, pedras/placas de FBF)
Sagittaria natans (mas exige número maior de mudas)
Sagittaria subulata subulata (idem)
Sagittaria subulata pusilla (idem)
Sagittaria sp Bras (idem)
Flutuantes:
Ceratopteris (0,5w/l)
Lentilha d´agua (Lemna sp.) (0,5w/l)
Riccias (1,0w/l)
Salvinias (0,5w/l)
Fertilização e manutenção:
Quando não plantadas em potes com substrato fértil algumas plantas podem precisar de um complemento com fertilização líquida.
O melhor é usar 1/3 da dose recomendada e se basear na aparência das plantas assim como no seu crescimento.
Para muitas plantas a fertilização ou injeção de CO2 apenas farão seu crescimento acelerar (bombar), mas temos de refletir se é isso mesmo que queremos (afinal quanto maior o crescimento mais podas e maior a probabilidade de “errar a mão” e desestabilizar o aquário).
Embora um aquário de plantas esteja menos propenso a picos de compostos nitrogenados e outras toxinas ele deve receber uma manutenção tão responsável quanto um plantado.
As TPA são “padronizadas” em 30% semanalmente, mas muitos aquário podem precisar de maiores volumes ou em períodos menores e outros (onde eu acho que muitos aquários com plantas pode ser encaixados) esse volume pode ser menor ou em períodos mais espaçados.
Assim como a manutenção do filtro pode variar com a fauna, flora, alimentação e outros fatores, podendo a manutenção semanal ser pouca ou uma quinzenal desnecessária.
Como cada aquário tem suas próprias características únicas, cabe ao aquarista definir a melhor escala de manutenções definida pela rotina exigida pelo aquário deste desde sua montagem através dos testes de ph, amônia, nitrito, dureza e outros (a obrigatoriedade da quantidade de testes mínimos varia um pouco de aquarista para aquarista).
Finalizando:
Depois de montado e populado basta curtir o aquário sem descuidar das manutenções corriqueiras (TPA, manutenção do filtro, podas, etc).
Um aquário com plantas é muito menos susceptível ao aparecimento de algas e desequilíbrios do que um aquário plantado e pode ser isso que muitas pessoas procuram nos fóruns, um aquário com flora viçosa e variada para embelezar o aquário e dar suporte para a fauna se destacar ainda mais.
Aliás, para mim seja em um low tech, seja em um low light, seja em um plantado, seja em uma beteira, seja em um aquário com plantas, seja em um “top” tech, seja em que aquário for, deveriam haver plantas de crescimento rápido justamente para contribuir para salubridade do aquário e de sua fauna e se em um aquário vamos colocar uma planta resistente de crescimento rápido (como uma Vallisneria ou Hygrophila ou uma Egeria) vai ser justamente para ela crescer absorvendo os nutrientes do aquário e fazer a vez de filtro verde complementando o filtro, então seria até um contrasenso juntar uma grande concentração de matéria orgânica nesse sistema.

Como Tratar Húmus de Minhoca

Autor: Matheus Camboim
Aquários plantados podem ser verdadeiras jóias para muitos aquaristas. Seja uma montagem comum; em estilo Holandês ou então com um ótimo aquapaisagismo, cultivar plantas aquáticas saudáveis e vigorosas é um desafio prazeroso para qualquer pessoa.
Mantido sobre a tríade substrato fértil x CO2 x iluminação, superar esse desafio está cada vez mais fácil: hoje em dia temos a nossa disposição infinitos materiais que facilitam a tarefa de manter um aquário plantado. Porém, assim como a variedade de produtos aumentou, os preços elevaram-se na mesma medida, principalmente quando tratamos de substratos industrializados: são muito práticos e eficientes, mas pecam pelo preço, que costuma ser elevadíssimo. Um bom substrato, balanceado e de boa granulometria não custa menos do que R$40,00 o quilo, mas existem alguns especiais que ultrapassam uma centena de reais. No final, somando só a quantia de dinheiro despendida com o substrato supera-se o valor do próprio aquário.
Por esse motivo, muitos aquaristas recorrem à uma ótima alternativa: o húmus de minhoca, que nada mais é do que fezes de minhocas, que se alimentam de um substrato pré-determinado (constituído de matéria orgânica diversa, como esterco bovino ou material compostado).

Húmus da espécie Eisenia foetida, a conhecida Minhoca Vermelha da Califórnia. Existe outra espécie também conhecida por esse nome, a Lumbricus rubellus, que produz húmus de semelhante qualidade.
Ele é barato, fácil de de encontrar, atende perfeitamente as necessidades nutricionais das plantas e seu tratamento pode ser realizado por qualquer pessoa. São milhares os aquário montados usando húmus como substrato fértil, dando resultados incríveis. Inclusive muitos aquaristas que iniciam nos plantados começam com húmus, mantendo-se fiéis mesmo depois de terem adquirido vasta experiência.
Como todo produto, o húmus possui também pontos negativos que devem ser observados: possui alta carga biológica, seja pelo material em decomposição (restos de folhas, galhos, raízes) ou seja pela quantidade de microrganismos (bactérias, fungos e pequenos invertebrados) presentes no mesmo. Ambos podem causar sérios problemas no aquário, como fermentação e consequente liberação de gases tóxicos como o gás Sulfídrico. Para evitar esse e outros problemas, o húmus deve passar por um tratamento antes de ser usado no aquário. Tal tratamento serve justamente para eliminar o excesso de carga orgânica.
O processo pode ser resumido em basicamente 3 passos principais: lavar + ferver + lavar. As primeiras lavagens retiram a sujeira mais grossa (pedaços de galhos, raízes, folhas, pedras etc); a fervura mata todos os organismos e as demais lavagens terminam de limpar o húmus, retirando a sujeira mais finamente particulada.
Obviamente o tratamento ganha variações conforme o aquarista, que pode ser do mais simples e crú como o descrito acima até aquele mais diversificados e detalhados. Cada tipo de tratamento resulta no mesmo produto final, porém com diferenças de rendimento e de granulometria. A qualidade do húmus escolhido também influencia no rendimento. Como é possível encontrá-lo em supermercados, agropecuárias e casas de jardinagem, geralmente tem-se a possibilidade de escolha.

Escolha sempre um húmus de qualidade, de boa procedência.
Para definir se o húmus é de qualidade, basta observarmos o seu conteúdo que deve ser relativamente uniforme, sem muitos galhos, pedaços de folhas e pedras, sejam esses grandes e/ou aparentes. Deve ser soltinho e fofo, com pequenos aglomerados e apenas levemente úmido. Sua cor pode variar do castanho ao quase preto, mas deve ser sempre escura.
Se o húmus apresentar pedaços muito grandes de folhas, folhas secas, pedras em excesso ou até mesmo pedaços de esterco, descarte-o, pois nãos e presta para esse fim.

Observe a aparência de um bom húmus: solto, leve, escuro e sem muitos pedaços de folhas, galhos e pedras.
Antes de iniciar as primeiras lavagens, é aconselhável passar todo o húmus por uma peneira, de malha média. Neste processo inicial, conseguimos eliminar com eficiência a maioria dos galhos, raízes, pedaços de folhas e pedriscos. Possui a vantagem de retirar tais materiais que afundariam na água, através do método tradicional.

Pode-se usar uma peneira velha, caseira mesmo e de malha média, para ajudar a retirar materiais indesejáveis do húmus.
Após peneirado, o húmus ganha uma aparência mais volumosa, muito macia e uniforme, sem os aglomerados e consequentemente melhor de se trabalhar. O que sobra na peneira é um material que lembra cascalho no que se refere a sua granulometria, tudo o que seria muito mais arduamente retirado nas lavagens. Tal material pode ser misturado à terra do jardim ou dos vasos de plantas, pois fornece sais minerais essenciais, fertilizando o solo e beneficiando as plantas.

A primeira imagem mostra o húmus após ser peneirado. A segunda imagem mostra o que é retirado do húmus após o processo.
Uma alternativa viável e funcional à peneira seca, é realizar o processo com a malha do utensílio mergulhado na água, em um balde ou bacia. Coloca-se o material na peneira, então mergulhe-a parcialmente na água, de forma que metade dele fique submersa. Com a outra parte fora d’água, vá remexendo o húmus, esfregando e desmanchando os aglomerados com as mãos. Essa técnica tem a vantagem de que dissolve o húmus impregnado nos detritos, e também faz o mesmo com todos os aglomerados, tendo um aproveitamento muito maior do material.

Uma alternativa é peneirar o húmus na água: assim retira-se muito mais desse material, tendo um rendimento bem maior.
Independentemente de como se escolhe iniciar o processo, o húmus deve passar por algumas lavagens iniciais. Nessas lavagens grande parte do material orgânico, que passou pela peneira por ser pequeno demais flutuará ou ficará em suspensão na água. Ao descartar tal água e renová-la, retiram-se tais materiais indesejáveis.

Reparem na diferença de quantidade de material em suspensão na água das duas imagens: na primeira o húmus foi peneirado e na segunda ele não foi, sendo jogado diretamente na água no modo tradicional. Percebe-se que peneirar o húmus ajuda a retirar mais detritos do que no modo convencional.
Para retirar o material flutuante, é interessante ir inclinando levemente o recipiente, de forma com que a água saia devagar, retirando mais detritos. Se virar rápido demais boa parto dos detritos acabam ficando, forçando a repetir mais vezes esse processo do que o realmente necessário. Repita esse processo algumas vezes, de 2 à 5x se peneirar o húmus ou de 5 à 8x se colocar o húmus direto na água. Pode-se parar as lavagens quando não notar mais detritos em excesso flutuando.

Vire o recipiente para que a água saia lentamente levando consigo os detritos que flutuam e que estão em suspensão.
Após terminado o passo anterior, chega-se a outro de extrema importância: a fervura. Ferver o húmus assegura a eliminação dos muitos microrganismos nele presentes, que podem ser potencialmente patógenos, seja direta ou indiretamente. As lavagens iniciais não matam nem retiram tais seres (na verdade a quantidade que o processo elimina é irrisória), por isso é importante ferver.
Se a quantidade de húmus for pequena, pode-se ferver em algum recipiente metálico (panelas velhas são ótimas para tal finalidade) no fogão mesmo. Se a quantidade for maior, pode-se usar barris de metal cortados ao meio ou até mesmo tachos, colocados em cima de fogueiras improvisadas. O tempo de fervura pode variar algo entre 20 à 30 minutos, o que garante uma esterilização segura e confiável.

Ferver o húmus por meia hora, em uma panela fora de uso, assegura uma boa esterilização.
Durante a fervura pode acontecer de respingar, como está muito quente tome cuidado. É melhor ferver sem tampar, pois ao fazer isso corre o risco de criar uma espuma e transbordar. O húmus durante o cozimento libera um odor semelhante ao de argila, um pouco desagradável, que pode provocar náuseas em determinadas pessoas. Se fizer dentro de casa, mantenha sempre que possível as janelas e portas abertas.
Terminada a fervura, basta esperar o húmus esfriar totalmente para então começar a lavá-lo. Tome cuidado, pois algumas vezes ele fica morno na superfície mas ainda está bem quente mais ao fundo, por isso é bom esperar 1 hora antes de dar continuidade ao tratamento.
Após frio, recomeçamos a lavá-lo, como anteriormente. Porém, dessa vez não se faz necessário inclinar o recipiente lentamente. Agita-se muito bem o húmus com as mãos, aguarde alguns segundos e despeje a água. É interessante aguardar tais segundos pois o húmus assenta nesse tempo, e o que ficar em suspensão é o que se deve descartar.

Novamente lava-se o húmus repetidas vezes. As sujeiras escuras na pia, que lembram areia de longe, são minúsculos pedacinhos de galhos, folhas etc. Note também que a água descartada das lavagens começa a ganhar um pouco de visibilidade.
Não existe um número exato de quantas vezes se deve lavar o húmus, pois varia de acordo com as técnicas aplicadas por cada aquarista e também de acordo com sua vontade. Alguns param enquanto a água está bem turva, outros preferem parar quando a água estiver mais clarinha enquanto outros ainda preferem lavar até a água ficar bem limpa.
O ideal é parar quando a água perder aquele aspecto de água “barrenta”, quando estiver um pouquinho mais limpa. Lembrando que não é possível deixá-la 100% transparente. Existem relatos de aquaristas que insistiram em lavar até a água ficar totalmente limpa e como resultado perderam quase todo o húmus, sobrando no balde apenas uma areia fina e inerte, inútil ao seu propósito inicial.

Observe que já é possível enxergar através da água, que ela já não apresenta um aspecto “barrento”.
Quando considerar que já está limpo o suficiente, pode-se encerrar definitivamente as lavagens. A água do descarte das lavagens iniciais e finais carrega consigo uma porção de sais minerais e outros compostos benéficos para plantas, por isso se desejar regar o jardim com essa água, pode fazer com segurança. Seria como se estivesse fertilizando-as.
Nesse ponto, possuímos duas alternativas: ou usamos o húmus diretamente no aquário, se já estivermos com tudo pronto para a montagem ou o secamos para armazenamento e uso futuro. Se desejar aplicá-lo diretamente, pingue algumas gotas de anti-cloro no balde com o húmus e a água, verifique se já não existe cloro e então pode usar.
Agora se não deseja usá-lo no momento e quer guardá-lo, será necessário fazer com que ele passe por um processo de secagem. O processo pode-se dar através da exposição natural a luz do sol ou através do uso de um forno elétrico.

Húmus pronto para ser seco: na primeira imagem em cima de uma lajota, para ser seco ao sol. A segunda imagem dentro de uma fôrma para ser seco no forno elétrico.
Para secá-lo ao sol, peque alguma superfície plana e limpa, como uma placa de isopor ou até mesmo um pedaço de madeira revestido de algum material plástico, pode-se também pegar algum plástico atóxico, estendendo-o em cima do chão, e então coloca-se o húmus. Distribua de forma uniforme, e em uma camada fina, que não ultrapasse 1 centímetro. Uma camada fina garante que a secagem seja muito mais rápida. Dependendo da temperatura em 1 ou 2 dias o húmus está pronto.

Independentemente de como escolher secar o húmus, deve-se ter sempre o cuidado de deixá-lo em camadas finas, para acelerar o processo.
Se optar por secar ao forno, basta também distribuir o húmus sobre uma forma (de bolo, de pão, de pizza etc. que esteja fora de uso), em uma camada que não ultrapasse 1 centímetro, colocando para “assar” no forno à 200°C, o tempo varia, mas uma forma grande com 1cm de húmus secou em aproximadamente 30 minutos. É interessante interromper de vez em quando a secagem para remexer o húmus com algumas colher velha, agitando, isso garante que ele vá secando de maneira uniforme.
Após seco, espere esfriar por 30 minutos antes de guardar. O forna ainda apresenta a vantagem de assar o húmus a uma temperatura superior a da fervura, garantindo que qualquer microrganismo sobrevivente seja eliminado nessa etapa.

Húmus muito bem seco e peneirado, pronto tanto para o uso em quários ou para armazenamento. Observe como ficou uniforme e granulado.
Após seco, é conveniente passar o húmus por uma peneira de malha média novamente, para dar a ele granulometria e textura agradáveis, semelhante a dos substratos industrializados.

Observe sua textura e tamanho comparados a uma mão adulta.
Ele pode ser armazenado em potes ou baldes que contenham tampa. Se bem fechado e se o húmus estiver bem seco, pode ficar guardado por tempo ilimitado. É frequente o caso de aquaristas que não secam bem, guardando-o ainda úmido. Dessa forma, além de empedrar, perdendo sua textura ele pode “mofar”. Fungos também são indícios de que o húmus ainda possuía muita matéria orgânica e que não foi corretamente tratado. Por isso é importante que esteja bem tratado e seco.
Deve-se ter consciência de que é impossível retirar todo o material orgânico do húmus de minhoca, que inevitavelmente sempre sobrarão alguns pedacinhos minúsculos (de 1 à 3mm) de folhas ou galhos, mas que não representam perigo se não forem abundantes.
Então, após esse processo relativamente trabalhoso, mas rentável, temos um substrato perfeito para as plantas dos nossos aquários, que satisfaz às demandas das mais simples até as mais exigentes. Sem perder em nada para os substratos industrializados, com a vantagem de ser mais econômico, totalmente ecológico e de ser o próprio aquarista que preparou.
Húmus de minhoca, com certeza uma ótima opção.

Como Tratar Areia de Construção para Aquários

Autor: Matheus Camboim
Uma alternativa viável e que resulta em um efeito muito bonito e natural é o uso de areia de construção como substrato de aquários ornamentais.
Variando os tradicionais cascalhos de várias granulometrias (conhecido também como “areião”) e também a areia de filtro de piscina, o uso de areia de construção sempre é uma boa alternativa: é um substrato muito acessível, barato e seu tratamento pode ser feito por qualquer aquarista, do iniciante ao mais experiente, e sem erros.
Seu efeito natural é inegável, proporcionando uma aparência única aos aquários que a usam. Perfeito para biótopos, temáticos ou montagens que inspirem a algum ambiente selvagem. De aparência mais escura, variando em vários tons de caramelo, bem como na sua granulometria, que pode ser da mais fina até a mais grossa, com alguns pedriscos, satisfazendo os gostos de diferentes aquaristas. De todas as formas, permitem um bom enraizamento das plantas; um bom isolante de alguma camada fértil (mais eficiente que o uso de cascalho); perfeito para peixes de fundo, com a boca virada para baixo e com barbilhões, pois costuma ser macia e muito raramente causa qualquer ferimentos (peixes como Corydoras por exemplo são muito beneficiados nesse ponto) e pra os que se enterram, como Dojôs e Banjos.
A areia de construção também facilita as manutenções básicas do aquário: na hora de realizar sifonagens, como a sujeita não penetra no substrato, ficando acumulada acima dele, basta aspirar os detritos apenas superficialmente, sem precisar remexer a areia. Pelo mesmo motivo sempre fica evidente a hora de sifonar, pois não existe lugar para “camuflar” a sujeira, evitando possíveis picos de amônia ou nitrito.
O processo de tratamento de areia de construção é muito fácil. Você pode adquirir sacos de areia pré-peneirada, por um preço vem acessível (aproximadamente R$5,00 cada 20 quilos) ou então conseguir uma certa quantia em alguma construção perto de casa.

Areia de construção sem tratamento, com grãos de diferentes tamanhos.
Primeiramente devemos peneirá-la, para separar os pedriscos maiores dos menores. Se ela estiver totalmente seca fica mais fácil, mas se estiver úmida não passará pela malha da peneira, por isso um recurso interessante é peneirá-la com a peneira parcialmente mergulhada em água.

Peneirar a areia dentro d’água é útil quando ela está úmida e não passa pela malha da peneira.
Após, basta ir esfregando a areia com as mãos e trocando a água, repetindo esse processo até que a água ganhe uma visibilidade considerável. Não existe agora a necessidade de lavar até a água ficar cristalina, pois ela será fervida posteriormente.

Lavar a areia até a água ficar mais limpa, mas não precisa ficar cristalina agora.
Nessas lavagens a areia mais particulada, mais fina lembrando um talco é eliminada. O que é interessante, pois ela costuma compactar mais rapidamente.
Após essas lavagens, deve-se ferver a areia por um período aproximado de 30 minutos para matar microrganismos que possam fazer mal aos peixes do aquário. Tais seres poderiam morrer dentro do tanque, entrando em decomposição e desequilibrando o sistema, ou até mesmo transmitir alguma doença.

Ferver por 30 minutos para eliminar organismos que poderiam transmitir doenças.
Durante a fervura, alguns grão de terra ou poeira, que nãos e desmancharam nas lavagens iniciais, costumam desfazer-se agora. Por isso a água fica turva novamente. Então, devemos esperar esfriar muito bem – tenha cuidado, pois a areia esfria em cima mas fica muito quente em baixo – para voltarmos a lavar novamente, mas desta vez até a água ficar completamente cristalina.

Lavar até a água ficar completamente transparente.
Para garantir uma limpeza ainda mais profunda, pode-se colocar a areia em uma mistura de 50% de água mais 50% de cloro ativo, por 24 horas. Após, lavar muito bem com água corrente e colocar algum anti-cloro de boa qualidade em uma medida 3 vezes maior que o recomendado. Medir o nível de cloro , se estiver presente, repetir as lavagens e a dosagem de anti-cloro (ou condicionador), até que a areia fique livre dessa substância. Esse tratamento é facultativo, caso nãos e sinta seguro apenas com a fervura.

Secar no forno ou ao sol caso não for usá-la de imediato.
Agora a areia de construção já está pronta para ser usada como substrato em diferentes montagens. Se não for usar agora, pode-se secar tanto ao sol como no forne elétrico, armazenar e usar apenas futuramente.

Areia pronta para ser usada, limpa e seca.
Se desejar um substrato diferente, bonito, prático, fácil de encontrar, barato e funcional,a areia de construção pode ser uma ótima escolha.

Algas no aquário plantado

Autor: Kris Weinhold / Tradução: Edson Rechi
Introdução
Qualquer aquarista provavelmente já teve que lidar com algas em seu aquário. Em um aquário plantado, um conjunto ainda mais complexo de variáveis, pode facilmente sair de controle e terminar com o triste surgimento de algas. Eu combinei informações de diferentes sites, acrescido de alguma experiência pessoal, e espero ter montado uma referência completa para os tipos mais comuns de algas encontradas no aquário plantado, juntamente com suas causas e soluções.
Este é um documento em contínuo desenvolvimento, então se você notar que algo está incorreto ou enganoso, por favor, não hesite em deixar um comentário com a sua correção.
Nota do tradutor: embora o artigo está associado a aquário plantado, estes tipos de algas podem surgir em qualquer aquário de água doce.
Índice
Barbas negras / BBA / Petecas / Black Brush (Rhodophyta) 
Barbas Negras, BBA ou black brush, podem apresentar uma série de gêneros específicos de algas “vermelhas” da família Rhodophyta. A maior parte das algas desta família são de ambiente marinho, mas uma espécie de água doce parece especialmente afetar aquários plantados. Esta alga pode variar sua coloração entre preto, marrom, vermelho ou verde e rapidamente poderá cobrir suas plantas e objetos decorativos se não for controlada.
Nota do tradutor: são conhecidas como “algas vermelhas”, devido sua coloração característica. Existe mais de 6.000 espécies, a maior parte ocorrente em ambiente marinho, existindo cerca de meia dúzia de espécies de água continental. Quando em ambiente marinho ou água de pH e dureza elevados podem apresentar coloração vermelho, enquanto em água doce com pH e dureza baixo apresentam coloração esverdeada ou negra.
Causa:
Desequilibrio/excesso de nutrientes, N, para ou Fe. Procure manter os níveis N (10-20 ppm), para (0.5-2 ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30 ppm), Mg 92-5 ppm), Fe (1 ppm). Neil Frank observou que raramente esta alga é encontrada em aquário de ciclídeos africanos, onde o pH e dureza é elevado, indicando que infelizmente esta alga prolifera em ambiente ácido, comumente encontrado em aquário plantado.
Tratamento:
Aumento de CO2 – Isso vai estimular o crescimento das plantas, que deve estimular a competição por nutrientes disponíveis.
Excel/H202 (água oxigenada) – Use uma seringa para atingir as áreas afetadas. Remover em seguida quando a alga estiver mais pálida (cinza / branco).
Remoção manual – Use uma escova para remover o máximo possível.
Tratamento com hipoclorito de sódio – Mergulhe as plantas ou objetos infectados em uma solução de água sanitária com água potável, utilizando a proporção 1:20 de lixívia misturado a água. Antes de colocá-los de volta no aquário, certifique-se que estão livre do cheiro de lixívia.
Manutenção programada e adequada – faça uma ou duas trocas parciais de água semanalmente/quinzenalmente.
Comedores de algas – Comedor de algas siames (SAE) e o camarão Amano são conhecidos por comer esta alga.
Cobre (não recomendado) – há inúmeros algicidas contendo cobre que irá eliminar este tipo de alga, mas você corre o risco também de eliminar suas plantas e invertebrados com o uso.
Algas Marrom / Brown Algae (Diatomáceas) 
Algas marrom, ou diatomáceas, frequentemente apresentam uma sujeira marrom viscosa que cobre as folhas e outros itens do aquário. Dificilmente surge em aquário maturado.
Causas:
Aquário novo – aquário recém montado é propenso a este tipo de alga.
Excesso de nutrientes – a sílica em particular parece ser o estimulador. Confira com a concessionária de água de sua cidade se há grande concentração de sílica em seus reservatórios de água.
Lâmpadas velhas: lâmpadas antigas podem incentivar condições para o surgimento desta alga.
Nota do tradutor: lâmpadas possuem um determinado número de horas de vida útil. Vencido o número de horas, a lâmpada poderá continuar funcionando, porém sem a mesma qualidade exigida, daí a importância trocar as lâmpadas periodicamente, especialmente em aquário com muitas plantas.
Tratamento:
Tempo – esgotado o excesso de sílica da água, a maioria das vezes esta alga desaparece por si só.
Remoção manual – pode ser facilmente removidas manualmente com a mão, sifão ou escova.
Comedores de algas: Ottos, caramujos e neritinas costumam eliminar estas algas, entre outras.
Algas verde/azul, BGA, Blue Green (Cyanobactéria) 
Muitas vezes referida pelos aquaristas como algas, o BGA é na verdade um tipo de bactéria que pode facilmente infestar todo seu aquário em poucas horas. Surge como um revestimento verde, preto ou roxo, exalando um cheiro ruim quando retirado da água. Como qualquer bactéria consumidora de nitrogênio, ela esgotará completamente a coluna de água de qualquer nitrogênio disponível.
Nota do tradutor: cianofíceas, como também são conhecidas, não podem ser consideradas algas e nem bactérias comuns. São microorganismos com características celulares procariontes (bactérias sem membrana nuclear), porém com um sistema fotossintetizante semelhante ao das algas (vegetais eucariontes), ou seja, são bactérias fotossintetizantes. Existe uma confusão na nomenclatura destes seres, pois a princípio pensou tratar-se de algas unicelulares, posteriormente os estudos demonstraram que elas possuem características de bactérias.
Causas:
Nitrato baixo – normalmente, quando a presença do nitrato é mínimo na coluna de água. Embora esta seja uma condição desencadeante, é agravado pela bactéria utilizar o nitrogênio restante.
Excesso de matéria orgânica – o nome diz tudo, excessos podem desencadear o BGA.
Lâmpadas velhas – lâmpadas velhas não emite luz utilizável pelas plantas. Esta pode ser mais uma questão de suas plantas não estarem competindo pelos nutrientes disponíveis com as algas.
Fraca circulação – circulação é fundamental em um aquário plantado de forma que não tenha “pontos mortos” e que os nutrientes sejam consumidos não apenas localmente, mas em toda estenção do aquário.
Nota do tradutor: embora a circulação seja fundamental em qualquer tipo de aquário, em aquário plantado devemos evitar criar um ambiente lótico.
Tratamento:
Aumento do nitrato – dose uma concentração que atinja até 5 ppm de nitratos.
Plantas de crescimento rápido – adicione plantas que irão competir com as algas pelos nutrientes mais rapidamente.
Apagão – estas algas não podem viver sem luz.
Nota do tradutor: o apagão só deve ser adotado se houver uma proliferação muito grande e não deverá ultrapassar mais que 48h. Após o apagão, deverá retirar todos os esporos e algas mortas do aquário manualmente ou sugando com um sifão.
Excel / H202 (água oxigenada)- use uma seringa para atingir áreas afetadas e em seguida remova manualmente.
Eritromicina – utilize este antibiótico na metade da dosagem diretamente na coluna d´água.
Nota do tradutor: eritromicina normalmente não costuma debilitar as macrófitas aquáticas.
Cladophora 

Esta alga é de longe a mais difícil de remover do aquário. Possui formato de lã verde, dura, se favorece quando mistura-se ao substrato ou outros itens do aquário.
Causas:
Marimo ball (bola marinha) – sendo da mesma família, as vezes pode introduzir a Cladophora em seu aquário.
Condições saudáveis – infelizmente se favorece nas mesmas condições de água que as plantas necessitam.
Tratamento:
Remoção manual – use uma escova de dente ou pinça e remova o máximo possível que puder.
Excel / Água oxigenada – use uma seringa para atingir áreas afetadas e em seguida remova manualmente.
Sorte – muito difícil remover 100%.
Fiapos de algas / algas felpudas / Fuzz Algae

Geralmente surgem em folhas de plantas, dando uma aparência um pouco difusa em suas bordas.
Causas:
Desequilíbrio de nutrientes – Mantenha os seguintes níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .
Baixa emissão de CO2 – Mantenha entre 20-30 ppm de concentração de CO2, conforme permitido pela fauna.
Tratamento:
Mantenha os níveis adequados de nutrientes e CO2.
Comedores de algas – Comedor de algas siâmes (SAE), camarões Amano, Ottos e Molinésias normalmente comem esta algas.
Poeira Verde / Green Dust Algae (GDA)

Esta alga surge com um biofilme verde, similar a uma poeira verde, normalmente na superfície dos vidros do aquário. É causado por esporos e parece evitar inertes ou folhas das plantas.
Causa:
Infelizmente ainda não foi possível localizar as causas concretas para seu surgimento.
Nota do tradutor: excesso de nutrientes na coluna d´água aliado a troca repentina da maior parte das lâmpadas de uma só vez contribuem para seu surgimento. 
Tratamento:
GDA parece ter um ciclo de vida finito, de modo que você poderá deixar ocorrê-lo sem interferência, deixando a algas endurecer e sumir em cerca de três semanas. Após este tempo, pode-se remover o restante que sobrou raspando ou com trocas parciais de água.
Comedores de algas – neritinas podem ajudar em sua eliminação, mas o mais recomendado é através da remoção manual completa aliado a troca parciais de água.
Ponto verde / Green Spot (Choleochaete orbicularis)

Mancha verde é comum no vidro do aquário, quando não há troca parcial de água rotineira, ou quando a adição de fertilizantes tem sido conduzida incorretamente. Podem ser encontradas também em folhas de Musgo de Java, Anubias e Bolbits, entre outras.
Causa:
Baixo nível de fosfato (PO4) – ocorre quase exclusivamente quando os níveis de fosfato estão muito baixo ou esgotados.
Tratamento:
Remoção manual – Use uma lâmina de barbear para remover mais facilmente a partir do vidro.
Aplicação de fosfato – dose uma concentração de 0,5 – 2.0 ppm de fosfato na água.
Comedores de algas – caramujos Neritina podem ajudar na remoção nas folhas e vidros.
Água verde / Green Water (Euglaena)

Provocado por protistas unicelulares (euglenóides), nadadores livres do gênero Euglaena. Contém clorofila A e B, além de carotenóides, dando-lhe a sua coloração verde, mas não são plantas. Com mais de 40 gêneros de Euglanóides e mil espécies, esta alga é uma das formas de vida mais abundante e comum do planeta, sendo essencial para a cadeia alimentar. Infelizmente, ou felizmente, nenhum aquarista o quer em seu aquário, devido a estética.
Causa:
Aquário novo – normalmente logo após um aquário ser montado, pode ocorrer a instalação e estabelecimento dos microorganismos (nado livre que se alimentam de plâncton).
Desequilíbrio de nutrientes – mantenha os níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .
Medicamentos – se o uso de algum medicamento afetar o biofiltro do aquário.
Tratamento:
Há uma série de tratamentos para a água verde:
Apagão – deixe as luzes do aquário totalmente apagado e evite qualquer luz ambiente por 5 dias. Suas plantas possuem reservas, podendo sobreviver por este período, as algas não.
Nota do tradutor: algumas plantas podem não tolerar apagão por 5 dias. 
Micro filtro – filtros de partículas finas podem limpar a água.
Nota do tradutor – pode-se desenvolver um micro-filtro utilizando um cartucho/refil de máquina de lavar roupa acoplado a uma bomba submersa.
Esterilizador UV – uma das formas mais eficaz de combate será utilizando a luz ultravioleta. Alguns relatos dizem que a luz UV também afeta os nutrientes na coluna de água.
Nota do tradutor: o uso do UV não deverá ser contínuo, devendo estar ligado somente se houver real necessidade ou preventivamente.
Floculantes – agrupa pequenas partículas, permitindo que a filtragem mecânica os remova da água.
Daphnia – Colocado em uma rede ou criatório pequeno, irá consumir as algas.
Pequenas trocas parciais – fazer mudanças de água (5-10%) todos os dias até a água clarear.
Nota do tradutor: este método pode ser um tanto exaustivo, podendo o aquarista retirar 20-30% de água do aquário durante 3 ou 4 dias seguidos. Apenas evite trocas de água maior. Certifique-se de identificar e eliminar a fonte do problema, ou ele poderá persistir ou retornar.
Cabelo / Filamentosa / Hair / Thread Algae

Consiste em filamentos verdes e longos, podendo atingir 30cm de comprimento. Muitas vezes mistura-se entre musgos e é por vezes cultivada propositadamente como um suplemento alimentar extra para os habitantes do aquário.
Causa:
Níveis excessivos de ferro – concentrações > 0.15 ppm
Tratamento:
Remoção manual – utilize uma escova de dentes para remover tanto quanto possível.
Manter uma rotina regular de manutenção com trocas parciais de água semanal/quinzenal
Reequilibrar Nutrientes – manter os níveis de nutrientes: N (10-20 ppm), para (0.5-2 ppm), K (10-20 ppm), Ca (10-30 ppm), Mg (2-5 ppm), Fe (.1ppm).
Algas Chifres / Staghorn (Compsopogon sp.)

Chamada de chifre devido sua ramificação lembrar chifres de um veado. Geralmente aderem a folhas e equipamentos. Os fios podem ser branco, cinza ou verde.
Causas:
Desequilíbrio de nutrientes – mantenha os níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .
Baixas emissões de CO2 – mantenha 20-30ppm de concentração de CO2, conforme permitido pela fauna.
Tratamento:
Remoção manual – Use uma escova de dentes para remover o máximo possível.
Trocas parciais – mantenha um cronograma de mudança da água semanal/quinzenal.
Aumento de CO2 – Isso vai estimular o crescimento da planta, que deverá ajudar as plantas competirem por recursos nutricionais com as algas.
Tratamento com hipoclorito de sódio – Mergulhe as plantas ou objetos infectados em uma solução de água sanitária com água potável, utilizando a proporção 1:20 de lixívia misturado a água. Antes de colocá-los de volta no aquário, certifique-se que estão livre do cheiro de lixívia.
Mantenha uma dosagem de macro-nutrientes (NPK) adequado.
Nota: A maioria dos peixes e invertebrados não comem esta alga.
Artigo original: http://www.guitarfish.org/algae
Referências:
Aquatic Plant Central Thread
Aquatic Plant Central – Algae Finder
AquaticScape
Fighting Algae with Hydrogen Peroxide
The Skeptical Aquarist

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Importância das Trocas Parciais de Água  
Por: Marcos Mataratzis
Professor, químico e especialista na manutenção de Botias.
Consultor do Centro de Estudos de Aquariofilia – CEA,
para assuntos relacionados à química da água do aquário
 
O sucesso na manutenção de aquários depende de uma série de fatores, mas todos eles acabam apontando para a qualidade da água. Um aquário com mais peixes do que deveria ou com sistema de filtragem insuficiente, em pouco tempo levará sua água a um estado de poluição que poderá comprometer a saúde geral das espécies nele contidas.
Por mais eficiente que seja a filtragem de um aquário, lembre-se que se trata de um sistema fechado. É recomendável realizar trocas parciais de água (de agora em diante chamadas simplesmente de TPA) frequentes para garantir a eliminação de dejetos não processados e repor certos elementos consumidos pelo sistema.
O percentual de água a ser trocada e a frequência com que isto ocorrerá dependerá de uma série de fatores como quantidade de peixes e plantas, quantidade de filtros e mídias filtrantes e a variação de certos parâmetros de sua água, como pH, KH, amônia, nitritos, nitratos, fosfatos, etc. A aferição periódica destes parâmetros é um forte indício da necessidade da TPA.
2 - Quanta água deve ser trocada
Não existe resposta definitiva para esta pergunta, pois a carga de dejetos pode variar muito de aquário para aquário. Alguns aquaristas experientes recomendam trocas mensais de 40% ou quinzenais de 30%. Há os que preferem trocar 20% semanalmente e há até alguns criadores que chegam a trocar 50% diariamente, mas conforme disse antes, cada aquário tem sua história e o dia a dia, aliado ao resultado dos testes é que lhe darão a resposta para o seu caso.
Um outro indício da necessidade das TPAs é a perda de vazão dos filtros. Inspecione periodicamente seus filtros, pois a perda de vazão, provocada por entupimento da filtragem mecânica, diminui a quantidade de água tratada.
3 - É verdade que aquários plantados necessitam menos de TPAs?
Se por um lado plantas são excelentes filtros para a remoção de diversos poluentes da água, aquários plantados também possuem uma carga de nutrientes grande e isto pode, eventualmente, favorecer a proliferação de algas. As TPAs são um aliado contra elas.
4 - Como proceder a TPA?
Dependendo do volume de água a ser trocado, pode ser interessante desligar os filtros para evitar que funcionem sem água e também os termostatos que não devem funcionar parcialmente fora d’água.
Normalmente começamos com uma sifonagem do substrato para remover pequenas partículas sólidas que se depositaram nele. Em aquários plantados a camada inerte evita que boa parte dessas partículas penetrem nas camadas inferiores, de modo que uma aspiração superficial costuma ser suficiente. Não se esqueça de lavar bem as mãos antes de começar o processo, pois podemos levar muitas sujeiras indesejadas para nossos aquários.
Em aquários com substratos comuns (sem isolamento) a sujeira particulada penetra no substrato e deve ser sugada. Costuma-se usar um sifão contendo uma espécie de copo na extremidade que permite penetrar no cascalho para uma remoção eficiente da sujeira. A foto abaixo mostra tal sifão em ação:

A água removida durante a sifonagem poderá ser coletada em baldes ou outros recipientes e descartada após sua remoção do aquário. Por ser uma água rica em nutrientes, ela pode ser usada para regar plantas, pois certamente é mais nutritiva para elas do que a água da torneira.
Aproveite a ocasião para remover o limo que geralmente se forma nos vidros. Existem limpadores magnéticos idealizados exclusivamente para tal propósito, mas uma esponja macia, uma gilete ou até mesmo um cartão velho de banco também poderá ser utilizado.
 5 - Como devo limpar meus filtros?
A limpeza dos filtros deve ser feita sempre que se fizer necessária. Conforme descrito anteriormente, sempre que houver entupimento da midia responsável pela filtragem mecânica, esta deverá ser limpa ou substituída. O tempo para isto acontecer varia de aquário para aquário, podendo levar de 7 a 30 dias, dependendo da carga de dejetos produzida. Caso seja usuário de carvão ativo para a filtragem química, lembre-se de sempre anotar quando foi que o substituiu pela última vez. Cada fabricante recomenda sua substituição em tempos diferentes, mas como não é uma mídia muito cara, costumo recomendar sua troca a cada 20 ou no máximo 30 dias.
Com relação às mídias de fixação para a filtragem biológica estas podem ser gentilmente lavadas, quando necessário, em água do próprio aquário apenas para remover depósitos de material particulado. Normalmente, uma limpeza superficial nessas mídias a cada trimestre costuma ser suficiente. É importante que o processo de limpeza dos filtros não dure muitas horas e também que as mídias de sustentação da biologia não fiquem secas. Elas devem aguardar submersas em água do próprio aquário enquanto durar a lavagem interna do filtro.
6 - Cascalho sifonado, vidros sem limo e filtros lavados. Como repor a água?
Embora essa pareça ser a tarefa mais fácil de todas as demais, ela requer alguns cuidados importantes. Muitos aquaristas já perderam peixes após uma reposição de água mal feita.
Primeiramente, a água de reposição deverá estar isenta de cloro. Este pode ser removido de diversas formas, desde aguardar 24 a 48 horas para que seja expulso da água, fazer uso de um anti-cloro ou mesmo um condicionador de água. Se esta água vier de um poço não será necessário usar o anti-cloro. Todavia, água de poço costuma vir com grande quantidade de CO2 e, se adicionada diretamente ao aquário poderá apresentar variações de pH em um ou dois dias pois o CO2 acidifica a água mas tende a ser expulso com o passar do tempo.
A temperatura desta água deverá ser a mesma da água do aquário. Certifique-se de medir ambas as temperaturas antes da reposição. Caso haja discrepância nos valores, faça os devidos ajustes, aquecendo ou resfriando a água que será reposta.
O pH desta nova água também deve ser igual ou muito próximo do pH da água do aquário. O ajuste poderá ser feito de diversas maneiras. A forma mais rápida (mas nem sempre a mais correta) é simplesmente usar algumas gotas de um acidificante ou um alcalinizante comprado em lojas de aquarismo. Lembre-se, entretanto que dependendo da reserva alcalina ou do teor de CO2 desta água o efeito desta correção poderá ser provisório. Em alguns casos é interessante usar uma solução tampão para garantir a estabilidade do pH.
Existem tampões para "segurar" o pH em diversos valores dependendo das substâncias envolvidas.
Essencialmente, uma solução tampão é obtida quando se misturam um ácido fraco e um sal desse ácido (reserva ácida) ou uma base fraca e um sal dessa base (reserva alcalina). Veja um exemplo de tampão ácido (reserva ácida), mistura de ácido acético (um ácido fraco) e acetato de sódio (um sal do ácido acético):
CH3- COOH <---> CH3-COO + H+ Ionização do ácido acético.
CH3- COONa <---> CH3-COO- + Na+ Dissolução do acetato de sódio.
Repare que em ambas as reações existem um íon em comum: o ânion acetato (CH3-COO-).  Devido a um efeito conhecido como [efeito de íon comum], os acetatos gerados na dissolução do acetato de sódio fazem tal concentração aumentar e, por conta disto, o equilíbrio da primeira equação se desloca para a esquerda (Princípio de Le Chatelier), impedindo que o ácido acético se ionize.
Entretanto, se adicionarmos uma base qualquer nessa água, existirá ácido acético suficiente para neutralizar tal base impedindo o pH de subir. É o ânion acetato, proveniente do acetato de sódio que garante a existência do ácido acético como garantia para manter o pH estável. No exemplo acima, temos um tampão ácido.
Analogamente, podemos ter um tampão envolvendo uma base fraca e seu sal que garantiria a manutenção de um pH alcalino. As lojas de aquarismo também vendem soluções tampão prontas para uso, para diversas faixas de pH. Uma alternativa mais barata pode ser fazer sua própria solução tampão.
7 - Receita de tampão alcalino:
1) Dissolva a maior quantidade possível de bicarbonato de sódio (comprado em farmácias) em água e guarde esta solução saturada para ser usada em cada TPA. Uma ou duas colheres de sopa desta solução poderá ser usada na água de TPA para garantir um pH estável, de 7,0 para cima. Quanto mais bicarbonato for colocado, mais alcalina a água ficará. O dia a dia lhe dirá a quantidade ideal a ser usada.
2) Dentro de seu filtro, coloque um pouco de Aragonita, Calcita ou Dolomita dentro de um pequeno sachê. Essas pedras, à base de CaCO3, formarão o tampão com o bicarbonato de sódio, garantindo a estabilidade do pH.

8 - Receita de tampão ácido:
Compre na farmácia ou em loja de produtos químicos o fosfato monoácido e o fosfato diácido de sódio e misture-os nas quantidades desejadas para atingir o pH da tabela abaixo:
Feita a mistura das substâncias, coloque 1g da mistura para cada 50 litros de água em seu aquário para manter o pH estável naquele valor da tabela.
Exemplo: digamos que deseje manter o pH de seu aquário estável em 6,6. Nesse caso então misture 40% em peso de fosfato monoácido com 60% de fosfato diácido de sódio - algo como 40g do primeiro com 60g do segundo. Guarde os 100g obtidos para usar nas TPAs.

9 - Temperatura e pH ajustados. Posso despejar a água agora?
Pode, mas faça isso lentamente. Não despeje os baldes de água de uma vez em seu aquário! Isso pode não só estressar seus peixes como também provocar um choque osmótico, já que a quantidade de sais dissolvidos na água de aquário e na água do balde não são as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade. Aqui em casa, costumo colocar uma bomba submersa dentro de um balde conectada a uma mangueira e esta leva a água para o aquário. O processo leva alguns minutos para esvaziar o balde:
Uma vez cheio, o processo de manutenção do aquário poderá ser dado como encerrado, mas não se esqueça de aferir os parâmetros físico-químicos da água periodicamente, para ter certeza de uma água sempre apropriada para seus peixes.
 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Reciclando Refil Atman HF - 0600

Mensagempor Mateus Camboim em Dom 14/Ago/2011 23:19
Oi,

Há muito tempo que eu venho fazendo uso de uma técnica barata, simples e eficiente: a reciclagem do refil do filtro Atman HF - 0600, muito conhecido no nosso meio.

Essa técnica surgiu de uma necessidade pessoal: economia. Onde moro pago R$16,00 o refil (mais barato que encontro). Eu troco tal refil uma vez por semana, o que daria R$64,00 por mês sendo portanto R$768,00 ao ano. No caso de lavar o refil 1 vez, usaria 2 por mês, R$32,00, por ano R$384,00. Com essa quantia seria possível montar um aquário novo, aquele marinho, comprar um canister excelente, um cilindro de CO2, aquele substrato fértil considerado o melhor do mercado, kits de testes químicos, aquele casal de casal de Discos tão sonhado, uma coleção de livros recomendados por todos os aquaristas experientes, enfim, uma dezena de coisas interessantes.

Reciclando um refil, o custo é irrisório. Bem na verdade, não saberia calcular exatamente quanto eu gasto com cada refil que eu reutilizo. Sei que o metro de lã perlon custa aqui R$4,50, e dura mais que 6 meses. Agulha é de graça, já tinha em casa (e não custa mais que R$1,50). Fio de náilon é o mais caro, paguei R$14,90, mas possui uma duração admirável, mais que 2 anos. Arrisco-me a dizer que não dispenso mais do que R$3,00 em cada refil.

Bem, os materiais que precisamos para reutilizar um refil são os seguintes:

:seta: Refil velho modelo Atman HF-0600;
:seta: 2 pedaços (retângulos) de lã perlon (mais ou menos, o suficiente para cobrir 2x o tamanho do refil);
:seta: Carvão Ativado;
:seta: Fio de náilon (aproximadamente 2 metros);
:seta: Agulha;
:seta: Estilete;
:seta: Lixa média;
:seta: Tesoura,
:seta: Prego pequeno e
:seta: Escova de dentes infantil e nova.

Enfim, vamos ao passo-a-passo:

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O refil velho. Pode ser feito com outro modelo da Atman ou até mesmo de outras marcas, porém pequenas modificações podem ser necessárias, talvez.

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Com o estilete velho cortamos o perlon antigo.

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Descartamos o perlon e também o carvão ativado que vem junto ao refil.

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Novamente com o estilete velho em mãos, retiramos as rebarbas do perlon e também aquela saliência plástica onde fica a cola e o tecido. O estilete é ótimo para esse fim.

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Com a lixa média damos o acabamento, deixando a superfície lisina e mais fácil de se trabalhar.

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Só agora é que lavamos muito bem o refil, escovando-o com uma escova de dentes infantil e nova (para evitar qualquer resíduo químico). Retiramos então toda sujeira, poeira como também o pó da lixa.

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Com o prego pequeno e a chama de um fogão vamos fazendo pequenos furos em todas as laterais do refil, exatamente um pouco depois da marca da saliência plástica. Esses furos podem ser mais ou menos espaçados (o mínimo são 12 furos) como também podem ser feitos com outro material pontiagudo.

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Lixamos também as rebarbas dos furos, evitando que a lã perlon desfie ou que possam arranhar. Após esse processo lave novamente o refil, apenas superficialmente, em água corrente mesmo.

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Nessa parte pegamos a agulha, o fio de náilon e os retângulos de perlon, indo à costura. Colocamos os pedaços de perlon em cima do refil e vamos costurando lateralmente.

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Quando a metade já estiver costurada, colocamos as mídias para filtragem química, se necessário. Pode ser carvão ativado, que é o mais tradicional. Terminamos então de costurar totalmente.

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Detalhe para ver como deve ficar a costura lateral. Podemos apertar um pouco para firmar bem. Dessa forma, rente a estrutura onde fica o carvão ativado, evita-se que o refil "emperre" no corpo do filtro, devido ao fio de náilon prender na ranhura interna do aparelho.

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Terminadas todas as etapas anteriores basta usar a tesoura para retirar os excessos de perlon que ficam nas laterais e dar um acabamento no refil. E pronto! Está feito seu novo refil, esperando para ser usado novamente.

Esse processo pode ser feito inúmeras vezes. Já perdi mesmo as contas de quantas vezes eu já o fiz. Há quase um ano que não sei o que é comprar um refil novo. Gasto em torno de 15 minutinhos fazendo um e pronto, perfeito para ser usado no meu aquário. Uma variável possível e interessante é realizar esse processo, mas colocar no refil anéis de cerâmica ou Siporax Mini, e ao contrário de costurar com lã perlon, usar filó comum no processo, tendo dessa forma um refil próprio para filtragem biológica. É o que eu faço nas minhas montagens que utilizam esse filtro.

Uma das vantagens notáveis desse processo, além da economia e evidente funcionalidade, é a possibilidade de controlar a quantidade de carvão ativado que se deseja usar. Coisa que não dá para controlar com refis novos, que já são adquiridos com uma quantidade pré-determinada.

Enfim, espero que esse tutorial seja útil de alguma forma. Boa economia!

Abraços.