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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Tanicts

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Por Administrator   
05 de novembro de 2008
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Dentre os muitos atrativos que existem na Natureza, podemos destacar aqueles que nos mais impressionam: Geralmente fixamos nossa curiosidade em coisas que são propagadas pelos sistemas de comunicação como grandiosas. As Baleias Azuis, os Pandas, e o exótico Ornitorrinco, sempre foram matéria de primeira linha para os ávidos consumidores da propaganda zoológica mundial, porém algumas coisas passam desapercebidas dos curiosos em geral: O Aquarismo é uma delas.
0 público médio se comove às lágrimas com a matança indiscriminada das Baleias Azuis (eu também), ou o extremo de rir com as curiosidades morfológicas de um ornitorrinco ( o que será que leva as pessoas a rirem de um animal?), contudo jamais lhes passam pela cabeça todo o complexo biológico que se processa nos minúsculos dois centímetros da pequena Heterandria formosa ou nos alevinos dos lindos Tanictis. Os Tanictis, conheci na loja de um amigo, a anos atrás quando era iniciante no Aquarismo. Num aquário com Dânios havia uns 8 perdidos. Fiquei boquiaberto com as cores e a agilidade dos bichos e lhe perguntei:
- Que peixes são esses aqui?
- Dânios, respondeu sem muito interesse
- Não, os Dânios eu conheço, falo destes pequenos, vermelhos.
Ele saiu do balcão e foi olhar o aquário:
- Ah. são Tanictis.
- Tan o que?
- Tanictis, é latim, quer dizer "peixe de Tan", são muito comuns.
- São incríveis, imagino quando crescerem.
- Não crescem, respondeu-me.
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0 nome TANICHTHYS ALBONUBES, como citou meu amigo, é latim e quer dizer o seguinte: Tan é o nome de um garoto que os descobriu num córrego da Bacia do Rio Xum (Si-Kiang) na província de Cantão, no Sudeste da China.
Tan morava numa aldeia próxima a uma cadeia montanhosa chamada Nuvens Brancas, daí, Albonubes. O peixe foi classificado pelo naturalista chinês Lin, conhecido de Tan, que não poupou homenagens nem ao seu descobridor e nem ao lugar. Como se vê, Aquarismo também é cultura, badalação e poesia.
Nas corredeiras que descem das montanhas Nuvens Brancas, formadas pelo degelo dos picos, alguns peixes sobrevivem e bem a Temperaturas que as vezes chegam abaixo de zero. O próprio Tan chegou a coletar "seus peixes" e criá-los em pequenos jarros, que devido a sua pequena capacidade variava muito de temperatura, atingindo durante o dia quase 30°C e por incrível que pareça os pequenos peixes sobreviviam. Tão resistentes que eram, logo se tornaram popular no mundo todo, inclusive no Brasil onde vai indo muito bem. Essas pequenas obras de arte da natureza geralmente não passam dos 4 cm, são muito gregários e vivem em cardumes dos quais dificilmente se separam. Nos aquários devem ser de preferência mantidos em grupos de 20 ou mais.
Para criá-los bem, devemos proporcionar-lhes espaço, bastante algas e plantas. Podem ser criados ao ar livre. Eu particularmente mantenho-os em caixas d'água no quintal, repletas de plantas aquáticas submersas e flutuantes (as segundas mantém sempre cristalina a água) das espécies Salvínia, Alface e lentilhas d'água. Se quiser criá-los em aquários comunitários dê preferência aos pequenos Barbus, Brachydânios (Paulistinhas), Dânios e Poecilideos. Para alimentar os Tanictis atente para o tamanho de suas bocas, pulverizando todo o alimento seco ou preparado. Sendo onívoro, comem de tudo que for jogado no aquário e tem uma predileção voraz por alimentos vivos: Artêmias e Tubifex são idéias. O pH da água não é fundamental, mas uma sugestão bem colocada: ligeiramente alcalino (7.2) para facilitar a proliferação de algas que com uma iluminação bem dosada, teremos sempre uma ótima ali¬mentação suplementar a base de vegetais, que os tanictis adoram (e necessitam) nos seus elegantes passeios grupais entre as refeições.
COMPORTAMENTO
Os Tanictis são muito pacíficos com relação não só a outras espécies como entre si. Jamais se mordem ou se atacam. Nadam por todo o aquário ocupando todos os espaços, dando preferência a superfície. Um espetáculo digno de se perder (ou ganhar) um tempo na mais salutar ociosidade é observar a reprodução destas maravilhas. Sem modéstia, sou capaz de ficar horas ao lado de um tanque observando-os (e me deliciando) entregarem-se ao acasalamento. Me fica completamente sem propósito narrar aqui tal façanha, já que apenas escrevo e passo experiências. Não sou poeta, definitivamente. Depois de um demorado período de namoro grupal, onde machos e fêmeas intensificam ao máximo a coloração, ficando vermelhos com tal intensidade que tenho a impressão que vão explodir, eles se separam aos pares, macho e fêmea, e iniciam um nado em parafuso, um em volta do outro, soltando uma nuvem de ovos que vão aderindo a todos os obstáculos que houverem pela frente. Ao final de dois dias os alevinos, pequenos filamentos transparentes começam a se mexer, grudados pelos vidros do aquário, plantas e pedras. Os pais são indiferentes aos filhotes, se estiverem bem alimentados, o que evita o canibalismo. É interessante notar que os Tanictis continuam desovando por vários dias seguidos, já que as fêmeas nunca põe todos os ovos de uma vez e quando uma fêmea desova, desencadeia uma série de posturas de outras fêmeas o que pode durar semanas. Os filhotes depois de absorverem o saco vitelino, nadam a procura de esconderijo e quando o encontram ficam por semanas neles, e quando saem já estão de bom tamanho. Para alimentá-los é ótimo gema de ovo pulverizada, que desce rapidamente ao fundo e se fixam no substrato esconderijo dos alevinos facilitando assim a sua alimentação. Pais e filhos podem ser criados juntos, se tiverem espaço só para eles.

CONSIDERAÇÕES GERAIS
Os Tanictis vivem em boas condições por mais de dois anos. Essa longevidade, diga-se de passagem, ampla, para um peixe tão pequeno, é conseguida graças a "saúde de ferro" que estes peixes tem, aliás até hoje eu nunca vi um Tanictis doente, a não ser casos de íctio ou outros parasitas menores e sem importância, dado que são de tratamento muito fácil. Na Austrália foi desenvolvida uma variedade com nadadeiras em véu (ver ilustrações) e que não é comum no Brasil. Só raras vezes é importada por algumas lojas e me parece que é uma variedade ainda não fixada geneticamente, sendo os Tanictis-véu algo mais acidental, onde de numerosos filhotes nascidos a cada postura, pouquíssimos tem essa característica. Há uma espécie catalogada como APHYOCYPRIS POONI idêntico ao Tanictis. Herbert R. Axelrod no seu livro "Tropical Fishes for Begin-ners" (Peixes Tropicais para iniciantes) fala-nos dessa espécie: "Outro peixe pra¬ticamente impossível de distinguir do Tanictis. Este peixe tem tons mais escuros de vermelhos e amarelos que os Tanictis e com freqüência o denominam de "Nuvem Branca Alemão". É mais caro que o Tanictis comum, requer os mesmos cuidados e é duvidoso que em cativeiro existam exemplares puros desta espécie, já que se cruza com facilidade com o "TANICHTHYS ALBONUBES".
Duillyo M. Coutinho
Fonte: Revista Aquarista Junior nr. 21.